Suspeitas de corrupção na construção do Rodoanel
A execução das obras do Rodoanel Norte é alvo de denúncias de corrupção

Construído para desafogar o trânsito na região metropolitana de São Paulo, o Rodoanel Mário Covas já custou R$ 1 bilhão aos cofres públicos e falta concluir o trecho norte. Desde 2001 a execução da obra do Rodoanel tem sofrido denúncias de superfaturamento.

Entre janeiro de 2007 e julho de 2008 o Tribunal de Contas da União (TCU) encontrou indícios de superfaturamento na construção do trecho sul do Rodoanel, com participação da empreiteira Camargo Corrêa, investigada pela operação Castelo de Areia, da Polícia Federal. Após delações feitas por executivos da Andrade Gutierrez, da OAS e da Odebrecht, o trecho sul passou a ser alvo das investigações da Lava Jato.

Outra investigação feita pelo TCU, dessa vez, nas obras do trecho norte do Rodoanel aponta indícios de superfaturamento de R$ 55,6 milhões nos pagamentos feitos pela empresa de Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa) para a empreiteira OAS. E, assim, o trecho norte também virou alvo da investigação da força-tarefa da Lava Jato.

Além disso, o TCU apontou pagamentos indevidos de R$ 23,1 milhões referentes a um aditivo de reequilíbrio econômico financeiro assinado em 2016 a pedido da OAS, por causa dos atrasos nas liberações das frentes de obra pela Dersa. De acordo com o TCU, o reequilíbrio de atraso deveria ser de apenas R$ 6,2 milhões no lote 2. O órgão também aponta um pagamento feito pela Dersa no valor de R$ 480 mil a mais em uma ponte que foi feita pelo método convencional (cimbramento), mas que foi pago pela Dersa como se tivesse sido feita por um método mais sofisticado (balanços sucessivos).

Em junho, a Polícia Federal deflagrou uma operação para prender 15 pessoas suspeitas de desviar dinheiro do trecho norte do Rodoanel. De acordo com o Ministério Público Federal, houve um sobrepreço de R$ 600 milhões nos custos da obra conduzida pela OAS e pela Mendes Júnior.

Principal alvo da operação da PF, o ex-diretor presidente da Dersa, Laurence Casagrande Lourenço foi preso como suspeito de desviar dinheiro nas obras de construção do trecho norte do Rodoanel. Além de Laurence, outras pessoas tiveram mandados de prisão expedidos:

  • Pedro da Silva, diretor de Engenharia da Dersa,
  • Benedito Aparecido Trida, chefe de departamento da Dersa,
  • Adriano Francisco Bianconcini Trassi, chefe de departamento da Dersa,
  • Edison Mineiro Ferreira dos Santos, funcionário da Dersa,
  • Pedro Paulo Dantas do Amaral Capos, funcionário da Dersa,
  • Helio Roberto Correia, funcionário da Dersa,
  • Márcio Aurélio Moreira, representante legal da Mendes Júnior Trading e Engenharia S/A,
  • Daniel de Souza Filardi Junior, representante legal da Mendes Júnior Trading e Engenharia S/A,
  • Carlos Henrique Barbosa Lemos, ex-superintendente da OAS,
  • Enrique Fernandez Martinez, diretor da Corsán-Corvian Construccion S/A,
  • Jairo Teixeira dos Santos, sócio da Catita Terraplanagem Transporte, Locação e Serviços,
  • Janaina Teixeira Santos Mariano, sócia da Catita Terraplanagem Transporte, Locação e Serviços.

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